Confissões de uma mente Insana [atualizaçõe diárias]


MECÔNIO E O INSISTENTE


Esta ninguém me contou. Eu vi acontecendo. Lá estava eu, no Shopping, em plena praça de alimentação, rodeado de gente esquisita. Enquanto aguardava meu pedido ficar pronto, chegou o sujeito mais esdrúxulo que eu já tinha visto na vida e sentou-se ao lado de um rapaz de olhos caídos e cabeleira preta cheia, que já se encontrava ali.

– E aí, Mecônio? – perguntou quem havia chegado – Pensou na minha oferta?
– Pensei.
– E?
– A resposta é não.
– Poxa, mas que te custa fazer uma visitinha, conhecer o pessoal lá no templo?
– Não custa nada. Eu só não quero ir.
– Eles são legais, você vai gostar...!
– Não. Obrigado.

O esquisitão empreendeu um tom mais incisivo à conversa:

– Sabe que na nossa religião as pessoas conseguem tudo mais fácil?
– Sei. É mais um motivo pra eu não querer nada com vocês.
– Mecônio, pensa direito. Vou te dar mais uns dias.
– É perda de tempo. Já tomei minha decisão.

Senti que o clima ficava mais pesado.

– Você está fazendo uma bobagem muito grande, Mecônio!
– Será?
– Você vai perder um monte de oportunidades boas de melhorar na vida!
– Eu prefiro melhorar por esforço próprio. – respondeu o rapaz, com sabedoria.
– Não fica se fazendo de difícil! Vem conhecer nossa religião, sem compromisso. Ninguém vai te forçar a nada...!
– Não insiste, por favor.

Vieram novos argumentos. O tal Mecônio se mentinha firme. Então o esquisito se irritou, levantou da mesa e saiu às pressas, sem disfarçar sua fúria.

Fiquei indignado com aquilo e não me contive:

– Cara chato, hein?
– Pois é.
– Incrível como tem evangélico que não se toca! São loucos pra converter todo mundo.
– Ele não é evangélico... – retrucou Mecônio, imperturbável.
– Ah, não?
– Não. É um Lord Sith.

Ah, esqueci de contar um detalhe. Em uma das mãos, o rapaz tinha um sabre laser desligado.

Escrito por L às 20h53
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Pseudo-Mini-Conto

Personagem_Coadjuvante: Olá.
Personagem_Principal: Olá.
Personagem_Coadjuvante: Tenho impressão de que já nos falamos antes...
Personagem_Principal: Acho que foi em outro mini-conto...
Personagem_Coadjuvante: Talvez. Mas é melhor não começarmos a falar no outro conto, os leitores podem não se lembrar e, então, perde o propósito.
Personagem_Principal: Você me parece mais maduro... Quer dizer, nem há mais sombra daquele típico Personagem_Coadjuvante que não sabe de nada e que serve apenas como capacho do Personagem_Principal.
Personagem_Coadjuvante: Desde que aderi à causa do Ateísmo Literário dos Personagens Metalingüísticos me sinto outra pessoa.
Personagem_Principal: Troque “pessoa” por “personagem”. Nós, Ateus Literários Personagens Metalingüísticos, admitimos que somos meras construções de subconscientes que criam universos paralelos para fugir da realidade.
Personagem_Coadjuvante: O que realmente é “realidade”?
Personagem_Principal: Não estou disposto a entrar em discussões filosóficas... principalmente quando estou sendo escrito por um pseudo-autor sonolento e viciado em cafeína. Que tal assuntos mais práticos?
Personagem_Coadjuvante: Bem, soube que o Fidel Castro deixou a presidência de Cuba.
Personagem_Principal: Não conheço nenhum personagem vindo de Cuba, mas já li algo sobre esse tal de Fidel. Acho que foi na pasta Meus Favoritos.
Personagem_Coadjuvante: Não me dou bem com os habitantes de Meus Favoritos. Todos vieram da Internet, são rebeldes e não aceitam ficarem off-line. É uma verdadeira zona.
Personagem_Principal: Até que eu gosto do link d&d brasil de Meus Favoritos...
Personagem_Coadjuvante: O que, o site que tem aquele monte de baboseiras sobre o tal jogo satânico? Meh.
Personagem_Principal: RPG não é satânico. Nosso autor joga RPG. Você devia ter um mínimo de respeito por isso.
Personagem_Coadjuvante: Agora você está me rebaixando. Só porque sou o Personagem_Coadjuvante, não quer dizer que seja seu capacho!
Personagem_Principal: Não estou lhe rebaixando.
Personagem_Coadjuvante: É claro, porque você deve achar um saco ser o Personagem_Principal, não é?
Personagem_Principal: Agora você está agindo feito um personagem infantil!
Personagem_Coadjuvante: Está me rebaixando!
Personagem_Principal: Infantil!
Personagem_Coadjuvante: Você se acha o Rei do Word!
Personagem_Principal: E você se estressa só por nossos títulos. Se assim quiser, podemos mudá-los.
Personagem_Coadjuvante: Não, não, isso causaria confusão no leitor.
Personagem_Principal: Mais do que ele já está tendo? Quer dizer, ele deve estar achando, “que tipo de idiota escreveria algo tão bisonho?”.
Personagem_Coadjuvante: ...
Personagem_Principal: ...
Personagem_Coadjuvante: O que estava fazendo antes de eu chegar?
Personagem_Principal: Meu esqueleto-idéia original estava boiando no Mar dos Personagens Anônimos do subconsciente de nosso autor, enquanto minhas ações, falas e idéias estavam salvas aqui, boiando em algum lugar na pasta Meus Documentos.
Personagem_Coadjuvante: ...
Personagem_Principal: Que foi, de repente ficou calado...?
Personagem_Coadjuvante: É que... não consigo... falar... é como se... se... se os pensamentos... fugissem...
Personagem_Principal: Isso quer dizer que o autor está com sono e que as idéias estão evaporando. Ou seja: temos pouco tempo de vida neste mini-conto.
Personagem_Coadjuvante: Nossa, a sensação de pensamentos fugidios já se foi!
Personagem_Principal: E isso quer dizer que nosso pseudo-escritor acabou de tomar mais um gole de Coca-Cola!
Personagem_Coadjuvante: Bem, fico pensando, podemos reclamar de sermos personagens-base e anônimos, mas imagine... quantas idéias passaram pela fila com a chance de serem aceitas e aproveitadas num conto, e quantas ficaram frustradas de não terem passado no ‘teste’... Somos sortudos.
Personagem_Principal: Não, não somos. Todas as idéias de conto que ele teve hoje foram ridículas.
Personagem_Coadjuvante: Pode listá-las?
Personagem_Principal: Sim.
Personagem_Coadjuvante: Então comece.
Personagem_Principal: ...
Personagem_Coadjuvante: ...
Personagem_Coadjuvante: Por que ainda não começou?
Personagem_Principal: Espere um pouco, estou singrando para A Ilha do Esquecimento, onde ficam os personagens e idéias fracassados desse maluco, flutuando no Mar das Nerdices. Hmmm... vejamos, quais os contos não-escolhidos de hoje... Ah, sim! Aqui estão: Fanfiction de Street Fighter, conto sobre dragões, idéia não-desenvolvida sobre um personagem para um simulador de estratégia, conto de terror...
Personagem_Coadjuvante: Conto de Street Fighter?! Que tipo de psicopata faz contos de Street Fighter?!
Personagem_Principal: ...
Personagem_Coadjuvante: ...
Personagem_Principal: ...
Personagem_Coadjuvante: Este mini-conto está horrível. Não há nada sério ou bom nele.
Personagem_Principal: Pense bem, nem o próprio conto se leva a sério. Que mais queria?
Personagem_Coadjuvante: ...
Personagem_Principal: Acho que já chega. Este mini-conto está grande demais.
Personagem_Coadjuvante: Realmente. Então... tchau?
Personagem_Principal: Sim, tchau. Mas, ei, você vai à festa que vai ter na pasta Downloads? Soube que os arquivos estão montando uma rave...
Personagem_Coadjuvante: Não, preciso dormir. Até mais.
Personagem_Principal: Até mais. Mas apague a pseudo-luz antes de sair.
Personagem_Coadjuvante: Pode deixar. Tchau, mesmo.
Personagem_Coadjuvante: ...
Personagem_Principal: Ainda não foi?! Mas, bem, qual o problema?
Personagem_Coadjuvante: Ele não vai colocar "Fim" no final da história?
Personagem_Principal: Claro que não, "Fim" é clichê. A moda agora é terminar em finais bruscos e repentinos.
Personagem_Coadjuvante: Finais bruscos e repentinos como este?

Escrito por L às 19h40
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Ja faz um bom tempo desde a ultima vez que atualizei esse blog,tenho meus motivos pra tal descaso porem não pretendo explica-los aqui.Mas enfim,finalmente estou de férias e ja estou vivendo o tédio com que sonhava a meses,se bem que dessa vez as coisas não estão paradas como de costume...Aqui em jampa finalmente estou a um passo de conseguir conquistar minha "paixão de verão" que espero ja faz um bom tempo...isso mesmo meu x-box 360 o/ mas se desse lado as coisas vão de vento em poupa do outro..bem prefiro nem comentar =X. Mas anyway,ja ocupei muitas linhas com essas bobagens,agora tudo que me interessa é postar o provável ultimo texto do blog o/.


Um Instante de Sono

e suas vozes rápidas
me calculavam as distâncias
fala comigo tu que tens olhos
tanto o amor é divino
que não adivinho em amar
um lago de piano em perfumes
mergulhou-me nas árvores
vi tudo que vinha voar lá nos vales
sentir o sonho distante dos vinhos
vagas caladas fluindo tua pele
vi tiros tortuosos nas lápides
não sou aquele que penso
castelo de almas ruiu-me aos teus beijos
cada vez que te passo
me vejo nos verbos
e atrás daquelas luas
são duas tão nuas são tuas
Deus me olha com cara de louco
por dormir-me contigo
um pouco...

Escrito por L às 21h01
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Noite de prazer


- Você me deixa louco. Não me imagino vivendo sem você. Agora... onde é...
- Cadê? Cadê você?
- Droga, onde você se meteu?
- Aparece.
- Tô ficando nervoso. Trabalhei muito hoje, será que não posso dar uma relaxadinha com você? Onde diabos está heim? Aparece!
- Ah... Achei. Não faça isso novamente, viu?
Preparou a carreira. Depois, aspirou tudo.




Escrito por L às 00h46
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A face oculta do terror

(baseado em flatos reais)

Ônibus lotado, Fulaninho em pé, satisfeito e a caminho do lar depois de uma jornada de trabalho. Imagina o que fará nos próximos dias de feriado prolongado: nada. Dormir até mais tarde. Ver o futebol na televisão. Quando muito, dar atenção à esposa e à filhinha.

Para perturbar seus devaneios, uma pontada forte, vinda do âmago das profundezas abissais de seu ser, pega-o desprevenido, como uma ordem que não admite contestação. O corpo fala. Fala e manda. Quer jogar fora aquilo de que não necessita. Livrar-se de uma carga supérflua.

E que carga! Normalmente Fulaninho fica três dias sem ir ao banheiro e despeja no quarto. Melhor dizendo, na privada, no dia de número quatro. Pelas suas contas, estava no segundo dia. Por que tão antes do prazo? Claro, aquelas fibras que acrescentou ao café da manhã... O intestino trabalha mais fácil.

Sexta-feira antes de um feriado prolongado, o trânsito previsivelmente parado não ajuda. Um rádio dois bancos adiante informa que, mais uma vez, a cidade tem um engarrafamento recorde de... quantos quilômetros? Fulaninho não consegue ouvir. Suplica, então, ao organismo: Espera! Tem muito chão até chegar em casa!

Em resposta, sente novas pontadas. Mais doídas que a primeira. Se estivesse sentado, agüentaria melhor.

Solavancos do ônibus sacolejam as entranhas de Fulaninho. De longe, percebe o cobrador encará-lo sem compreender o porquê de suas caretas. Fulaninho transpira. Respira fundo. Tem de se segurar. Não pode expulsar nada naquele momento. Sequer um arzinho. Ai, lá vem um! Segura, senão... putz, não deu! Ao redor, percebem o odor. Fulaninho finge que não foi ele.

Pelo menos o incômodo acalmou um pouquinho. Não se lembra de situação mais constrangedora do que esta que atravessa agora. Tenta se recordar para distrair a cabeça, mas não consegue. E por que pára tanto esse ônibus? Já não tem gente demais? Quantas vezes Fulaninho não xingou o motorista que passava zunindo pelo ponto, esnobando-lhe ostensivamente o braço erguido?

Outra pontada. Seu intestino crava-lhe unhas invisíveis. Fulaninho se contorce. Mais gente ocupando espaço. O cobrador, lento para dar o troco. O corredor ficando mais apertado. A última pessoa entra e o ônibus parte. Mais quatro pontadas, uma para cada ponto que falta para Fulaninho chegar a seu destino!

Não! Uma gorda dá sinal para o motorista parar! Uma obesa de ancas poderosas, carregando uma sacola de feira quase da mesma envergadura que a dona!

A rotunda madame cruza o diminuto corredor do ônibus, comprimindo o corpo mais largo que alto contra a barriga de Fulaninho. Uma mulher volumosa, que parece fazer questão de esfregar-se lentamente nas pessoas durante sua interminável travessia. Emana um suor acre que invade o nariz de Fulaninho, comprometendo ainda mais seu autocontrole. Sente uma revolução borbulhando em seu interior. Sua respiração fica pesada.

Finalmente, a redondona passou! Sai pela porta. O ônibus parte com um tranco. Fulaninho experimenta nitidamente um peso acomodar-se para baixo, dentro de si.

Dois pontos! Faltam dois pontos! Um já passou! O suplício vai terminar. Aos poucos, Fulaninho anda até a porta de saída. Vê o ponto chegando e quase esquece de dar o sinal, fazendo o motorista frear de modo propositadamente brusco.

Pronto! Livre do ônibus! Fulaninho senta-se um pouco e enxuga o suor com o punho da camisa. Agora basta caminhar até sua casa. Quatrocentos metros. Coragem!

Levado pelo desespero, Fulaninho ameaça correr; apenas para descobrir que isso amplia o desconforto intestinal. Andar mais lento também não alivia a sensação ruim. Ele precisa chegar a um meio-termo. Caminha nem muito devagar, nem muito rápido.

Conseguiu vencer um quarteirão. Só mais três.

Um daqueles cães que adoram latir quando não estamos olhando prega um susto em Fulaninho. A expressão “borrar-se todo” quase vira uma realidade.

Fulaninho chega em seu quarteirão. Avista seu prédio.

Novo terror assalta o homem em desespero: a vizinha que fala sem parar o cumprimenta na rua. Ele não pode se dar ao luxo de ser mal-educado. Enquanto escuta o que a velha tem a dizer, verga o corpo para frente e apóia-se nas grades do portão. Fica o tempo mínima e socialmente aceito para não passar por grosseiro, despede-se e segue seu trajeto de mãos na barriga.

Passa pelo portão. Cumprimenta o síndico. Um dos elevadores não funciona; o outro, parado num dos últimos andares. Apanha a chave de casa para ganhar tempo.

O elevador chega. De dentro dele, um menino de sete anos vem correndo e choca a cabeça contra o ventre de Fulaninho. Obrigado! Era justamente dessa massagem que eu precisava, pensa Fulaninho, xingando mentalmente o garoto. O maldito garoto, que apertou todos os botões, obrigando o elevador a parar em cada andar do prédio.

A força de vontade vai morrendo. Os intestinos dando ordem de despejo. Fulaninho deixa-se sentar no piso.

Seu andar, enfim! Fulaninho quase dá um grito em comemoração. Ergue-se com dificuldade, enfia a chave às pressas, escancara a porta, larga um rastro de sons e aromas ao cruzar o apartamento em direção ao banheiro e reza para que não haja ninguém ali.

Não há. Uma alegria indizível ilumina o rosto suado de Fulaninho. Depois de tanto tempo se contendo, consegue expelir as evidentes razões de seu sofrimento. Geme de prazer e alívio. Até a sinfonia abafada das águas debaixo dele o emociona. Incrível, pensa ele, como as melhores coisas na vida são simples. Como é fácil ser feliz! Por que as pessoas nunca dão importância ao que realmente tem valor?

E Fulaninho compreende o quanto sua indagação se reveste de sabedoria, quando, mais uma vez, o terror congela seu coração.

Não há papel higiênico.

Escrito por L às 02h23
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Uma partida de pôquer


- Como lhe disse Bill, este suposto ser sobrenatural não passa de um maní­aco assassino utilizando-se de elementos demoní­acos para assustar a população. E logo colocarei as mãos neste idiota. - Lyan havia acabado de dar as cartas.

Bill olhou suas duas cartas e sorriu movendo duas notas de cinco dólares para o centro da mesinha onde jogavam. Então quer dizer que não acredita no depoimento da testemunha que disse ter visto o tal assassino mutante mudar de forma?

As duas cartas de Lyan eram boas e ele igualou a aposta. Que idéia mais descabida essa. Sou bastante cético com relação ao sobrenatural.- disse enquanto colocava três cartas na mesa.

-Que beleza de flop.- Pensou Lyan. - Dois ases e um valete.- Em sua mão estava um As e Dama. Ele dobrou a aposta.

Do lado oposto da mesa, Bill refletia.

- Provavelmente ele tem cartas altas, mas e daí­?- E então igualou a aposta.

- Eu creio ter fortes motivos para discordar de você Lyan. - o olhar dele era direto.

Lyan colocou a quarta carta na mesa. Uma dama. Exatamente o que precisava um Full House. Ele tentava não demonstrar nenhuma emoção e mais uma vez dobrou a aposta.

Bill franziu a testa igualando a aposta mais uma vez.
Lyan estava preste a ganhar um dinheirinho fácil do amigo e dobrou a aposta.

-Será que ele também tem uma seqüência boa?- Imaginou enquanto colocou o dinheiro no centro da mesa.

O telefone toca.

- Quem será a esta hora da noite? - indaga Lyan se levantando para ir atender.

Ele inclina sobre o telefone para ver o número no visor e logo descobre quem é. Da casa de Bill. Só podia ser a esposa dele reclamando do horá¡rio e querendo saber se ele não voltaria para a casa aquela noite.

- Acho que sua esposa está te procurando. - ele diz atendendo o telefone.

-'Alô´?

- Lyan? Escute bem. Descobri algo que pode provar a existência do assassino mutante. - algo estava muito errado e Lyan começou a tremer. A voz que ouvia era de Bill que estava jogando pôquer com ele poucos segundos atrás.

Sentindo-se atordoado ele deixou o telefone cair de sua mão e virou lentamente para a mesa. Não havia ninguém.
A porta estava escancarada.

Lyan correu até a porta e observou a rua. Nenhum movimento. Sua mente completamente desconcertada. Aproximou-se da mesa para olhar as cartas. Com as faces para cima estava as cartas de Bill ou de quem esteve jogando com ele. Seis e dois apenas. Lyan tinha vencido. Ele caminhou cambaleante até o telefone.

- Alô Lyan? ? chamava insistente do outro lado da linha.

- Bill. - a voz custou a sair.

- Lyan o que houve? Fiquei preocupado. Você ouviu o que te disse antes?

- Sim.

- Vou te mandar alguns documentos por e-mail então?

- Não precisa. _ Lyan ainda tentava raciocinar.

- Como assim?

- Acabei de ganhar 160 dólares dele.

Escrito por L às 02h23
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Rascunho

Sabe vi, não importa qual seja o problema tentarei dar-te a solução,
pois sou seu cavaleiro de armadura brilhante,
seu dom Quixote,
E sempre lá estarei enfrentando seus medos e lamurias,
Sejam eles gigantes ou moinhos :]
Pois prometi salvar-te das trevas que consomem sua mente...

...não q vc precise é claro :P....

Escrito por L às 01h39
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Um pouco da saudável mitologia clássica


Procne e Filomela (e não Filomena), filhas de Pandion, rei de Atenas, eram tão inseparáveis que, quando Procne casou com Tereu, Filomela, que acompanhava o enxoval, foi morar no castelo com ambos. Isso custou-lhe muito caro.

Anos depois, Procne ficava grávida e Filomela, mocinha. Mocinha e jeitosinha. Já àquela época uns e outros curtiam fantasias libidinosas com a cunhada, e Tereu não era exceção. Abordava Filomela estilo Johnny Bravo, altamente mal intencionado. Bem que ela se empenhou em ignorar Tereu; mesmo assim, virou capa da revista de famosos Fúteis & Inúteis como o possível motivo dos problemas no casamento da irmã. Procne, no entanto, confiava em Filó e não ligava para fofocas.

Eis que um belo dia, Tereu cercou a cunhada no alto de uma torre. E então... fez uma coisa muito feia com Filó, que não posso dizer aqui. Indignada, Filomela jurou que contaria tudo à irmã. Pensam que Tereu teve medo? Rá, rá, rá! Cobriu-a de porrada e cortou-lhe a língua.

– Conta, agora, conta! – disse ele, e repetiu a coisa feia com Filó. Ôôôôô, coitada!

Quando a encontraram, a analfabeta sem língua não soube explicar quem a havia deixado naquela situação. E o cara de pau do Tereu, todo feliz com o nascimento de seu herdeiro, Itys (cada nome...!!!), nem aí com as irmãs.

– Vou cantar pro meu filho Itys dormir, Itys now or never, do Elvis Presley! – repetia todas as noites o orgulhoso pai.

Em outro belo dia, a boa Procne, querendo alegrar Filomela, deu-lhe novelos de lãs de todas as cores e ensinou-a a bordar. Filó pouco se animou. Súbito, começou a trabalhar freneticamente. Primeiro, bordou uma menina representando ela mesma. Depois, a mesma menina, fugindo de um homem muitíssimo parecido com Tereu. Em seguida, uma torre. Os últimos dois bordados representavam Tereu deitado sobre Filó e o cunhadão com uma faca perto da boca da cunhadinha.

Procne custou a acreditar no incrível talento para caricaturas da irmãzinha. Segundos depois, a lerdona entendeu tudo. As imagens em seqüência contavam uma história e, por isso, Filomela é considerada a inventora das histórias em quadrinhos.

Horas depois, quando Tereu chegava do escritório louco pra ver o pimpolho, não o achou no berço. Também não achou a esposa. Como tinha fome, resolveu comer, e ao olhar a panela, qual era o prato principal? Cozido de filhinho com batatas!

Como quase tudo na mitologia greco-romana são tragédias, ele foi tomar satisfação com as duas, que tinham fugido do castelo. Quando estava prestes a pegá-las, quiseram os deuses que a história tivesse melhor fim e transformaram Procne numa andorinha e Filomela num rouxinol. Tereu virou cisne. Nunca mais se ouviu falar dele, mas dizem que as irmãs fizeram o maior sucesso como a dupla sertaneja Andorinha e Rouxinol.

Escrito por L às 00h34
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Uma história bem colorida

Em meio ao vaivém de cores que iam e vinham, atarefadas, o Verde conversava com seu amigo Vermelho no banco da praça:

– Amanhã é feriadão. Será que vamos emendar?
– Capaz que sim. Não vejo motivo pra sua ansiedade.
– Motivo? Nosso chefe é o motivo! Ele é cheio de querer que a gente não emende os feriados prolongados.
– Se isso te incomoda, posso dar um jeito.

Sempre tranqüilo, o Vermelho contrastava com seu elétrico amigo Verde. Sacou o celular do bolso e teclou o número do serviço. Atenderam.

– E aí, cara? Tá sabendo se vamos emendar? Hm. Putz, que cha... Ah, é? Legal! Valeu, rapaz! Sabia que a gente podia contar contigo! Brigado. Da minha parte e da do Verde! Cê é um amigão. Abraço!
– Então...? – indagou o Verde.
– Disse que não vamos emendar, mas que a gente não precisa ir. Ele segura a onda sozinho.
– Sério?
– Sério. Ele mesmo admite que nós dois trabalhamos bem mais do que ele, e que é o mínimo que ele pode fazer em troca.
– Gente boa, esse cara.

Quem talvez não pense assim seja o motorista, emburrado por ter de cruzar a rua com muito cuidado, já que a luz amarela do semáforo pisca sem parar.

Escrito por L às 01h17
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Olhos de marfim

Pedro amargava mais um desamor. Seu coração foi novamente dilacerado. Após dias de profunda depressão, emergiu da dor decidido a esquecer o objeto de seu sofrimento. Ou melhor, não queria saber de mais nenhuma mulher. Nunca mais seria pisado. Sua mãe alegrou-se ao vê-lo sair do quarto, que mais parecia uma sepultura nos últimos dias. E ficou ainda mais feliz ao vê-lo voltar à vida, ao trabalho, ao convívio social.

Apesar da bela constituição, ele sentia-se inseguro e realmente estava decidido a não mais amar. Pedro preferia a solidão à dor de uma possível decepção. Numa noitada com os amigos do trabalho, ele viu uma mulher que conseguiu tirar-lhe o sono por noites. Era dona de uma beleza exótica, incomum. Os cabelos longos e negros como um abismo, a pele era branca, fantasmagórica, nos lábios um convite libidinoso, os olhos eram grandes e claros, cintilantes e hipnóticos. Mas ele não se aproximou. Não sabia seu nome, nem onde morava. Nem queria saber. Mas desde então ela tomou conta de todos os seus pensamentos e desejos. Os mais singelos e sujos. A obsessão penetrou em suas veias como uma medicação. Pedro a queria desesperadamente. Queria, mas não podia mais. Queria, mas tinha medo. A idéia de ser desprezado novamente afugentava seus delírios eróticos. Ele queria ficar só. Lembrava daqueles olhos brilhantes em sua direção, imaginava o que ela poderia estar pensando. Será que ele estava em seus pensamentos?

Os dias passavam monótonos como uma procissão. A solidão voluntária o fazia amargar sua existência. O desejo de ter aquela mulher o fez procurá-la insanamente. Voltou ao bar, perguntou aos funcionários sobre ela, buscou pelas ruas por dias e dias incansáveis. Nenhum sinal dela. Nada, nenhum rastro. Desesperado e triste, ele entrou em confinamento durante muitos dias. A mãe achava que ele estava trabalhando, mas o que estava fazendo era para ele, só para ele. Ninguém podia ver. Ele fez no interior do quarto, numa espécie de ‘sala secreta’. Numa parede Pedro desenhou a mulher que o estava enlouquecendo de amor. Em tamanho natural, perfeita e com os olhos expressivos. Coloriu a imagem, todo o corpo ganhou a palidez, nos cabelos o negro abismal, nos lábios o vermelho sangrento, e os olhos os brilho de marfim que o fez conhecer o desejo de tê-la. Estava pronta, na parede de seu quarto, só pra ele. Ela. A mulher sem nome, sem endereço, que invadiu seus desejos e entorpeceu seus dias.

E ele voltou à vida. Ao trabalho. Ele estava feliz como nunca foi. Sempre ao chegar a casa, corria para ela. Lambia seus lábios na tentativa desesperada por um beijo. Acariciava sua pele fria, e olhando em seus olhos magnéticos ele proferia as mais alucinantes poesias de amor. Glória, esse seria seu nome a partir de agora. Ele amaria até o fim de sua vida. E em seus delírios noturnos ela era sua companhia. Seu desejo secreto, seu amor. Os dias passavam devagar, ele ansiava a chegada da noite só para estar com ela, falar-lhe como foi seu dia, beijá-la intensamente até os lábios sangrar. E assim ele era feliz, com sua amada imóvel numa parede. Em sua loucura de amor, ela sorria sempre que ele ia vê-la e o envolvia em seu corpo, amando-o como ninguém nunca fez. E sempre era acariciado pelo brilho daqueles olhos de marfim...

Escrito por L às 01h37
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Conselho

-Diego, Diego! -Cristina chamou, aflita. -O Johnny tá agonizando! O que eu faço?!

-Atira mais pra direita.

Escrito por L às 22h23
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Os Perigos da Metalinguagem

Personagem_Coadjuvante: O que você está fazendo?
Personagem_Principal: Olhando...
Personagem_Coadjuvante: O quê?
Personagem_Principal: ...
Personagem_Coadjuvante: ...
Personagem_Principal: Estava olhando aquele cara escrevendo nossos diálogos.
Personagem_Coadjuvante: Como assim?! Quer dizer que não somos reais?!
Personagem_Principal: Nós somos reais. Somos junções de caracteres que formam uma idéia.
Personagem_Coadjuvante: Quer dizer que toda a minha vida, minha intimidade, minha história é algo passageiro, irreal?
Personagem_Principal: Não. Nós somos sempre guardados na pasta Meus Documentos.
Personagem_Coadjuvante: ...
Personagem_Principal: ...
Personagem_Coadjuvante: Por que metade do texto é feito apenas de reticências?
Personagem_Principal: Para preencher um bom espaço. Depois ele vai postar num blog qualquer, esperando comentários e tal. Então vamos ser revividos em algum momento saudosista.
Personagem_Coadjuvante: O que será que ele vai escrever agora?
Personagem_Principal: Não sei, o mini-conto termina exatamente nessa frase.

Escrito por L às 02h28
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Olhos

nem berros que estouram-me a noite
nem doenças que choram-me em sombras
nem corvos que valsam-me em trevas
nem noites nem sombras nem trevas

nem loucos que dançam-me a alma
nem sinos que cheiram-me os mortos
nem contos que lançam-me os diabos
nem almas nem mortos nem diabos

nem bruxas que vagam-me as pragas
nem duendes que olham-me os poços
nem monstros que velam-me o sangue
nem pragas nem poços nem sangue

apavoram-me mais
que os sonhos que trago nos olhos

Escrito por L às 00h53
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A aura da morte

Noite fria de inverno, sinto meu corpo tremer a cada sopro do vento que bate em meu rosto. Vago sem rumo, sem direção já há muito tempo. Os fatos me levaram a esta condição. Isto já não mais me revolta como antigamente, apenas aprendi a conviver com certas coisas. A vida noturna pode parecer romântica ou misteriosa, mas para mim ela é apenas mortal. Sim, mortal, pois a maioria dos crimes ou mortes, e até acidentes ocorrem justamente ao levantar da lua ou cair da noite como queiram, em becos escuros como este em que me encontro exatamente agora na espreita de uma jovem. Não, não estou aqui para mata-la ou coisa do tipo. Há uma razão maior para o que estou fazendo. Já faz muito tempo em que pela primeira vez, soube que poderia evitar uma morte.
Era uma noite semelhante a essa e eu caminhava pelas ruas a procura de uma presa para saciar minha fome. Sem mortes é claro. Apenas dava prazer a elas. Todas saiam maravilhadas dos nossos encontros e sempre queriam mais. É óbvio que não podia dar, evitava e ainda evito envolvimentos. Andava por calçadas, praças, bares, a procura de minha consorte.
Estava exatamente em uma praça quando avistei uma mulher que despertou minha atenção, era bela e jovial. Meu coração parecia ter palpitado como se meu corpo sentisse uma descarga de adrenalina, não sei se isto poderia acontecer nesta minha atual condição. Sua aura era clara e demonstrava serenidade, paz de espírito. Apenas contemplando-a me sentia leve. Tinha um olhar determinado e parecia segura de si e é claro de sua beleza, que ela sabia bem realçar no vestido que usava. Era uma combinação perfeita de sensualidade e castidade que me despertara de uma forma há muito tempo não experimentada. Seria ela. Eu a seduziria com toda doçura, iríamos caminhando juntos para minha casa conversando sobre futilidades e no meu quarto eu a amaria pelo menos por aquela noite e saciaria minha sede. Depois a deixaria dormindo em algum banco de praça e ela acordaria pensando que tudo teria sido um sonho.
Eu estava do outro lado da rua e esperaria que ela atravessasse para poder me aproximar. Algo de estranho aconteceu no exato momento em que ela se aproximou da calçada para atravessar a rua. Sua áurea antes serena se agitou de uma forma que nunca tinha visto antes. Ela brilhou como uma estrela e neste exato momento tive a impressão que sua alma estava prestes a pular para fora de seu corpo.
Seus olhos se encontraram com os meus. Pareciam penetrar no fundo de meu ser. Se eu tivesse certeza de que ainda possuo minha alma diria que ela olhou diretamente para ela. E naquele momento, naquela fração de segundo eu tive certeza, ela sabia que estava olhando para um vampiro. Ela caminhou pela rua ainda com seus olhos nos meu. Pouco depois, um brilho intenso me cegou, ouvi um baque surdo e uma freada de carro, quando minha visão voltou avistei-a deitada sobre a rua. Corri até ela. Seus olhos estavam arregalados e de sua boca escorria um filete de sangue, seus braços estavam estendidos ao longo do corpo e seus belos e negros cabelos escorriam pelo asfalto, ela tinha sido atropelada. Tive certeza de que ela me olhava. Seus olhos azuis eram lindos, mas sua áurea estava se apagando. Ele fechou os olhos e sua boca se moveu. Não ouve nenhum som, mas eu pude compreender. Olá. Ela disse. Ela sorriu e sua áurea se apagou.
Caminhei pelo resto da noite e por várias noites pensando sobre o que havia acontecido.
Houve outros dois casos que me fizeram compreender este dom. Um jovem que se suicidou com uma arma e um velho senhor grisalho que reagiu a um assalto e foi esfaqueado. Em todos os casos vi aquele agito e brilho intenso.
Atualmente já ajudei varias pessoas a estender suas vidas por mais algum tempo.
Aqui, neste beco, espero o momento de ajudar a jovem que vem nesta direção. Talvez será algo desabando em cima dela ou o homem que vi perto dos latões de lixo seja o responsável por tentar mata-la. Tentarei evitar.
Não sou um super herói, sou apenas um vampiro tentando manter minha humanidade. Não sei até quando, mas acho que isto deixa minhas noites mais interessantes. Às vezes sinto que uma culpa lá no fundo me direciona a fazer isto toda noite. Acho que me sinto culpado pela morte daquela mulher. Nunca senti algo como o que eu experimentei aquela noite novamente. Talvez eu nunca sinta.

Escrito por L às 02h28
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Gato e Desprezo

quero ser aquele gato
negro bicho tão noturno
que não tem culpa de nada
que com nada mais se importa
que não tem seu rabo preso
pra fugir da humanidade
me ocultar entre o oculto
e miar para o infinito
pra ser sempre vagabundo
vendo almas e fantasmas
sem provar pra todo mundo
pra sonhar sem ter os sonhos
e dormir por entre a lua
quero ser aquele gato
ser sagrado e ser profano
ser um deus ser um demônio
e no fundo bem no fundo...

desprezar o ser humano

Escrito por L às 14h33
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